sábado, 2 de abril de 2011
que desassossego não ter sossego!
Que desassossego este de não ter sossego num cansaço que não quer dormir. Que acordar tão desiludido por não estar a sonhar. Ouve-se o riso de uma criança ao longe. Tão longe... Espera-se pelo enfadonho destino que teima em aparecer à porta, com um contentamento desmedido, só para dizer, sussurrando 'apanhei-te'. Abre-se a janela para sentir a brisa da primavera, mas sente-se entrar nas narinas, tomar gosto na língua, queimar os olhos, aquele cheiro a podridão e excrementos que, invisivelmente, preenche as calçadas deste vosso Portugal. Ouve-se o riso de uma criança ao longe. Salto a janela infestada de sanguessugas e procuro nas ruelas, nas ruas, nas avenidas, nos becos mais escuros, debaixo das pontes, nas casas, nos prédios; mas ela está tão longe. Tão longe... Que desassossego contamina estas gentes de hoje! Que pesadelos assombram a tão incómoda dor de cabeça de quem não dorme por estar tão cansado.
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