segunda-feira, 7 de junho de 2010

Ir

ir..
ir e esquecer que existe um mundo fora desse mundo.
seguir adiante sem olhar para trás, sem olhar para a frente.
apenas ir.
é isso que nós fazemos para nos abstrair-mos desse mundo complicado e traiçoeiro.
vamos sem rumo, vamos sem destino, vamos sem pressa de partir, vamos sem pressa de chegar.
guardamos no bolso a garrafa de vodka e o maço de tabaco e vamos.
seguimos a estrada que se estende para nós, sem mistérios nem becos sem saída.
apenas ir..
é isso que a minha vontade pede, ir e não voltar a olhar para trás, não olhar para a frente.
ir e não pensar em nada, abstrair-me de tudo, de todos, de nada, de ninguém.
não olhar e não ver,
não falar e não dizer; escutar e não pensar.
abrir o vidro e deixar a melodia sair, fechar a porta e ir.
apenas ir..
é só e é tudo.
um ir sem hora nem data de regresso.
é um vir não marcado na agenda, um regresso que nos telefona, ao nascer do sol, para nos dizer para ir.
e nós vamos.

sábado, 5 de junho de 2010

4/6/10

Olho para trás e vejo a amálgama de turbilhões descompassados de pensamentos abstratos e foco-me na dor que me infligi. Volto à rua onde deixei o meu pensamento trancado no carro em chamas. Tranco a porta por dentro e deito a chave numa garrafa de vodka. Fico a vê-la enferrujar, enquanto bebo a sua essência.
Olho para trás e vejo o carro destruído, vejo a garrafa de vodka caída no chão e vejo o meu pensar consumido.

Divagações Sobre a Inteligência Humana (30/4/10)

- porque é que existem pessoas mais inteligentes do que outras?
- quem determinou o grau de inteligência de cada pessoa?
- porque é que para determinar o QI de alguém só se baseiam em coisas matemáticas e lógicas e etcs.?
- em consequência, porque é que para uma pessoa ser considerada inteligente tem de perceber de matemática ou física ou ler jornais informativos e ver programas educacionais?

- afinal, o que é a Inteligência?

- a inteligência é mais um dos termos criados pela Humanidade para fazer distinções entre as pessoas, quando na realidade somos todos inteligentes, cada um à sua maneira. Somos todos inteligentes de igual forma porque todos temos diferentes ideias e ideais que se complementam.

30/7/09

Disseram-me que preciso de escrever.
Como se isso fosse algo banal, um toma-lá-dá-cá,
traduzido pela tradição de antigamente.
Não. Escrever é muito mais do que isso,
é o distanciamento do mísero mundo em que nos encontramos,
é a entrada para o sonho, para o faz-de-conta da criança que já todos fomos, a criança de há tantos anos ou a criança de há tão poucos.
Por isso, sigo os conselhos do escritor da minha maior amizade,
e escrevo.
Mas a minha escrita é vazia e sem sentido,
patética até.
Mas escrevo. Escrevo porque me faz sentir bem,
escrevo porque todos nós precisamos de um amontoado de letras para criarmos sentido em tudo o que fazemos,
escrevo - não para que alguém leia - mas para me recordar dos momentos monótonos e vazios por que passei.
Um dia vou ler.
Um dia vou compilar todos os textos irónicos, tristes, deprimentes, alegres
e até mesmo aqueles sem sentido, numa só folha de papel,
esculpirei todas as suas letras numa pedra,
para que lá fiquem, acompanhadas apenas pelo tempo e o seu passa, não-passa.
Um dia farei isso.
Mas agora, agora enquanto este pequeno momento de tempo parou, escrevo.
Só para mais tarde recordar que houve alguém que me disse para escrever.

E, um dia, vou ler. 

12/3/09

Cada vez mais me deparo com situações caricatas e constrangedoras
tanto na minha vida, como na vida de quem me rodeia.
Situações que me fazem pensar:
"porque é que o ser humano é tão estupido?"
Pergunto-me como seria a vida se não existissem sentimentos;
provavelmente, gerava-se um vazio dentro do nosso ser,
insuportável e, ao mesmo tempo, comodativo
e o ser humano, na sua constante busca pelo perfeito,
acabaria por esbarrar nesse vazio, criando nele algo impensável.
Como seria a vida se não sentíssemos ciúme, tristeza, carência?
Seriamos estátuas vivas, saídas de um qualquer museu,
sorrindo disparatadamente e concordando com os conceitos básicos da estupidez inata.
Somos uma roda viva, em constante renovação;
giramos alegres para um lado,
para logo a seguir cairmos tristes para o outro, voltando, novamente, a recomeçar o ciclo.
Por vezes, perdemos tanto tempo a pensar na nossa própria vida que esquecemos,
inconscientemente, dos problemas existentes em nosso redor
e os causadores são estes sentimentos que nos fazem cometer loucuras
e dizer disparates sem sentido.
Mas, o que seria de nós se não sentíssemos; se não chorássemos?
Lagos secos e esquecidos numa qualquer região longínqua.

Por vezes, só me apetece gritar:
"Tirem-me deste circo!"

4/10/08

Desenrolei o meu passado como se fosse um rolo de papel.
Calculei a probabilidade de um sorriso me surgir, por querer um momento como aquele.
Um momento que durou tanto como a eternidade.
Eternidade.
Se sei como é?
O tempo que dura?
Sim, sei..
Dura o tempo necessário para reter o precioso suspiro de alegria
que nos inunda quando olhamos, vemos, ouvimos, escutamos, falamos, dizemos..
Quando vivemos, enfim, vivemos como deveríamos viver.
Sem pensamentos furtivos que nos arrastam para o chão e se esquecem de nós,
Tão lá em baixo..
Tao lá em baixo...

Gosto daquela sensação de não pensar,
daquela sensação de deixar passar o momento com um sorriso
cerrado que não quer esmorecer.
Mas ele acaba sempre por evaporar aos poucos.
Cede o seu trono ao sono, ao cansaço, àquela pesada sensação de mal-estar
e de desespero interior que me faz divagar por memórias eternas.
E, por isso, choro.
Choro por serem apenas isso, memórias..
Choro por saber que não vão repetir-se, que serão únicas.
Quero roubar o passado integrado no meu ser e revivê-lo.
Revivê-lo não; reescrevê-lo.
Escrever os versos daquele poema inacabado que deixo sempre de lado.

30/5/08

Acordei com um enorme cansaço..
Espreitei pela janela..
Nuvens de algodão
que convidam ao eterno repouso..
Deixem-me parar de pensar,
por um momento,
e dar descanso às sensações.