Sinto uma estranheza dentro de mim, como se um outro alguém penetrasse no mais fundo de mim
e o reclamasse como seu e o controlasse descontroladamente.
Padeço da doença da solidão compenetrada, do desejo de preenchimento da alma.
Sou recetiva à mudança, mas fica difícil transmitir a ideia para uma atitude diferente daquela
a que o meu interior consente.
Fico desconcertada pela rebeldia do meu intimo e mais ainda pela desconfiança que isso me transmite.
Perco-me no seu desacerto e deixo-me atrair no seu contexto.
Gosto e preciso de mais.
Mas acordo sem lhe tomar o gosto.
Não sei o que é, simplesmente me fascina.
sábado, 17 de março de 2012
quinta-feira, 15 de março de 2012
palavras
Careço de palavras.
Elas estão cá, tenho em mim o seu significado, tenho em mim a intenção de as proferir,
mas, algures a meio caminho, entre o cérebro e a língua,
elas ficam para trás, perdidas, baralhadas e vazias.
Dou por mim extática, numa inconsciência de ser, só porque não tenho palavras.
Porque não tenho a dor que dita os sonhos, não tenho o sofrido desespero da imaginação,
tenho antes esta insónia infindável e descontrolada que rege o meu cansaço.
Careço de palavras porque, apesar dos inúmeros sinónimos, o cansaço vem sempre sozinho,
entedia-se com as palavras que lhe roubem o significado.
Careço de palavras porque elas adormecem quando deveriam sair do seu casulo.
Apodrecem lá dentro e desmantelam-se aos poucos.
Fica, então, o vazio. E é só.
Elas estão cá, tenho em mim o seu significado, tenho em mim a intenção de as proferir,
mas, algures a meio caminho, entre o cérebro e a língua,
elas ficam para trás, perdidas, baralhadas e vazias.
Dou por mim extática, numa inconsciência de ser, só porque não tenho palavras.
Porque não tenho a dor que dita os sonhos, não tenho o sofrido desespero da imaginação,
tenho antes esta insónia infindável e descontrolada que rege o meu cansaço.
Careço de palavras porque, apesar dos inúmeros sinónimos, o cansaço vem sempre sozinho,
entedia-se com as palavras que lhe roubem o significado.
Careço de palavras porque elas adormecem quando deveriam sair do seu casulo.
Apodrecem lá dentro e desmantelam-se aos poucos.
Fica, então, o vazio. E é só.
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