Desenrolei o meu passado como se fosse um rolo de papel.
Calculei a probabilidade de um sorriso me surgir, por querer um momento como aquele.
Um momento que durou tanto como a eternidade.
Eternidade.
Se sei como é?
O tempo que dura?
Sim, sei..
Dura o tempo necessário para reter o precioso suspiro de alegria
que nos inunda quando olhamos, vemos, ouvimos, escutamos, falamos, dizemos..
Quando vivemos, enfim, vivemos como deveríamos viver.
Sem pensamentos furtivos que nos arrastam para o chão e se esquecem de nós,
Tão lá em baixo..
Tao lá em baixo...
Gosto daquela sensação de não pensar,
daquela sensação de deixar passar o momento com um sorriso
cerrado que não quer esmorecer.
Mas ele acaba sempre por evaporar aos poucos.
Cede o seu trono ao sono, ao cansaço, àquela pesada sensação de mal-estar
e de desespero interior que me faz divagar por memórias eternas.
E, por isso, choro.
Choro por serem apenas isso, memórias..
Choro por saber que não vão repetir-se, que serão únicas.
Quero roubar o passado integrado no meu ser e revivê-lo.
Revivê-lo não; reescrevê-lo.
Escrever os versos daquele poema inacabado que deixo sempre de lado.
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