sábado, 5 de junho de 2010

30/7/09

Disseram-me que preciso de escrever.
Como se isso fosse algo banal, um toma-lá-dá-cá,
traduzido pela tradição de antigamente.
Não. Escrever é muito mais do que isso,
é o distanciamento do mísero mundo em que nos encontramos,
é a entrada para o sonho, para o faz-de-conta da criança que já todos fomos, a criança de há tantos anos ou a criança de há tão poucos.
Por isso, sigo os conselhos do escritor da minha maior amizade,
e escrevo.
Mas a minha escrita é vazia e sem sentido,
patética até.
Mas escrevo. Escrevo porque me faz sentir bem,
escrevo porque todos nós precisamos de um amontoado de letras para criarmos sentido em tudo o que fazemos,
escrevo - não para que alguém leia - mas para me recordar dos momentos monótonos e vazios por que passei.
Um dia vou ler.
Um dia vou compilar todos os textos irónicos, tristes, deprimentes, alegres
e até mesmo aqueles sem sentido, numa só folha de papel,
esculpirei todas as suas letras numa pedra,
para que lá fiquem, acompanhadas apenas pelo tempo e o seu passa, não-passa.
Um dia farei isso.
Mas agora, agora enquanto este pequeno momento de tempo parou, escrevo.
Só para mais tarde recordar que houve alguém que me disse para escrever.

E, um dia, vou ler. 

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