Leio e releio e tudo me parece estranho, quase esquecido.
As letras, as palavras, as frases não me fazem o sentido único e inexplicável que outrora me preenchiam a vontade de saber.
Pego no meu caderno de suposições e tento impregná-lo de exclamações metafóricas. Mas as comparações não são idênticas ao sentido nelas investido; são antes realidades inatas; como um caixão à espera do seu imortal habitante, vazio, despojado de decorações fantasiosas e de recordações penosas.
É uma caixa de madeira oca.
Leio e releio e tudo me parece estranho, quase esquecido.
As memórias de antes não me preenchem o agora.
Pego no meu caderno de sonhos e tento depositar nele todos os meus triunfos e guardo-o como se fosse um álbum de fotografias, exposto aos olhos dos mais curiosos, dos mais caprichosos. Lançam-me olhares furtivo e inquisidores, ao verem partes do meu ser, ao verem o fracasso que chegou a mim sem se fazer anunciar.
Sou uma caixa de madeira oca.
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