segunda-feira, 20 de fevereiro de 2012

viver

Vivo morta nas lembranças de um passado mal vivido,
de um 'aconteceu, já não volta atrás'.
Vivo sem saber o que é viver,
vivo somente por saber como é respirar.

Vivo amargamente uma quietude embriagante,
um cansaço constante,
um entorpecimento da mente,
um abandono profundo da vontade,
uma preguiça do corpo que desafia a mente em duelos de força.

É, por isso, ao mesmo tempo um desassossego na alma,
uma azáfama delirante nos pensamentos,
que esbarram uns nos outros,
sem vontade de ficar em último plano.

E sonho..

Sonho por não saber viver,
sonho porque é a dormir,
mergulhada numa inconsciência sabida,
que me sinto reconfortada.

É nos sonhos que eu vivo;
salto, corro, falo, ouço, luto, amo, minto e engano e grito,
grito até me perder no eco mudo das minhas palavras.
São só isso, palavras, mas por vezes pesam tanto
que forçosamente os nossos joelhos cedem até ao chão duro.

E acordo com um cansaço desumano,
uma vontade de não ter vontade.
Vivo cansada no seio deste mundo enfermo.
Vivo desgastada por não saber o que é um sono bem dormido.

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