Foi como se tivesse acordado agora.
Abri os olhos e vi que não estava em casa, não estava na minha cama.
Por isso estava tão desconfortável enquanto dormia; não era a minha cama, a minha almofada, o meu conforto familiar.
Não sei quanto tempo dormi nem posso afirmar o dia exato em que acordei.
Despertei com um latejar lancinante na cabeça, como se me perfurasse o cérebro à procura de algo que não está lá.
Perfuraram e perfuraram...
Retiraram o que restava, o pouco que lá crescia
(não havia espaço para mais)
e sugaram tudo!
Por isso é tão insuportável, já não está lá nada, não restou nada,
já não funciona como deveria.
Depois de sugarem tudo
(sanguessugas esfomeadas!),
atiraram o meu corpo para o chão, para a pedra dura e suja a que pertenço e lá me deixaram.
Foi quando acordei.
Foi quando pensei que tinha acordado.
Porque esta não é a minha cama, nem a minha almofada.
Esta não é a minha casa.
Esta é a cama que eu mereço por não ter acordado.
Mas, no fim, é como se ainda estivesse a dormir.
E eu penso:
'Foi como se tivesse acordado agora.'
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