domingo, 5 de abril de 2015

Encruzilhada

Deixei-me levar por esse instante, que sem eu notar, já tinha desaparecido.
Foi como se me perdesse numa encruzilhada; 
não sabia o rumo a seguir, então foi por instinto que continuei.
Foi um simples capricho da vontade.
A noite trazia consigo um turbilhão de desejos e quereres.
Eram noites preenchidas pelo silêncio dos olhares discretos
e pelo acaso dos encontros às escuras.
Mas o pensar não descansa;
este insaciável saber que tudo sabe.
Os dias trouxeram consigo a certeza do vazio que sempre fica.
Esta certeza imutável de pensamentos que não passam disso.
Refiz os meus passos e voltei atrás.
Aqui me espera o rei das encruzilhadas, de pergaminho e pena na mão,
pronto para assinar um acordo.
Ele sabe que já percorri os dois caminhos que se me depararam,
ele sabe qual é o mais apelativo.
Mas também sabe qual é o mais sinuoso, o mais tortuoso.
Regozija de prazer com a minha eterna incerteza.
Quero ceder ao instinto da vontade, 
quero trazer de volta este impulsivo silêncio do acaso,
esta chama que arde solitária por dentro.
Mas foi apenas um instante.
Instante esse que cedeu o seu lugar de honra à monótona certeza,
à inegável verdade do nada.
Este nada que sempre fica.

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