Vou descalça e de olhos vendados.
Caminho sozinha no meio deste turbilhão
de passos apressados e fantasmagóricos.
São uma ilusão constante que me cega.
Não há tempo para aprender
nem paciência para ensinar.
É um mundo agitado e distraído
que não cede aos apelos dos loucos.
Ah os loucos!
Fazem conciliábulos com o silêncio
e tocam no tempo com as pontas dos dedos.
Soletram as palavras que ficam por dizer
e desligam interiormente a realidade.
A minha loucura prendi-a eu com cadeados velhos,
mas o mundano distrai-me,
então deixo-a sair ocasionalmente.
É um acordo mútuo onde ninguém ganha.
Ah ser louco e ser livre!
Fazer palestras silenciosas com charadas mal decifradas
e beijar o escuro da noite que me mantém míope,
sem com isso me importar.
É um mundo totalitariamente sóbrio
de tão ébrio que está,
um mundo insensível e detestável,
este que me venda os olhos e me descalça.
E ainda dizem que os loucos
são aqueles poucos errantes
que fazem buracos nas vendas
e calçam meias.
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